terça-feira, novembro 28, 2006

Há-de flutuar uma cidade

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade

al berto

(para ti nesa)

1 comentário:

Japonesa disse...

... tanto faz...

sei que sabes um2. já percebi.

é lindo sim. é igual. não conhecia al berto, foi por ti que fiquei a conhecer. adoro a sua forma de sentir, de fazer sentir, como se estivesse dentro de nós, a escrever-nos com uma fluidez tão grande. e entendo porque te agrada a ti particularmente também.

um grande beijinho para ti. (alegrou o meu dia, que apesar de solarengo estava tão carregado de neblina para mim) ... aquela coisa horrivel do "tanto faz"