segunda-feira, outubro 16, 2006

Eu...

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca

(já deves conhecer, mas dedico-te a ti nesa)

4 comentários:

Japonesa disse...

eu acho que tu me conheces de facto... emocionei-me por este teu gesto tão doce.

é o meu poema preferido um_2 :-) e parece que sabes tudo sobre mim...

sou eu que sou assim tão transparente ou tu de facto tens um dom tão nobre de poderes ver para além do óbvio?

és tão lindo tu... obrigada querido amigo

Japonesa disse...

e agora já tenho um poema dedicado só a mim...

CosmaShiva disse...

È tão lindo ...que só de o ler fico "emocionada" ;(

Tal como dizia "Goethe"...
* Conhecer alguém aqui e ali, que "pensa" e "sente" como nós, e que embora distante ... está perto em espírito... eis o que faz da Terra um jardim habitado *

Jinhos para os Dois***

Solaris disse...

Quanta ternura que eu leio aqui, risos! :-))
Agora vou reclamar uma indemnização pelo teclado inutilizado à força das tantas lágrimas do meu chorar! É que mais parecia uma inundação, lol!