sexta-feira, maio 25, 2007

Reflexões

Quando por vezes luto contra o que me atemoriza, tento nem fazer muito alarde, porque logo a dúvida surge, a memória povoa-nos de coisas passadas, a dor se reabre… enfim.
Os pavores que povoam o meu coração e meus pensamentos, assaltam-me todos os dias, e a demasiadas horas até…
A duvida, o porquê, do “e se…”. As incertezas... cruéis e nem sempre sem sentido...
Este último, o que mais rasga as minhas entranhas doridas, sofridas…
Demasiado frágeis para duvidar jamais.
Cada momento de edílio feliz, sorriso fácil, apaga o momento amargo anteriormente chorado.
Mas assim que ele, o momento, se afasta no tempo… logo me assaltam os medos.
Aqueles que me tiram o sono, me amargam a boca, molham meus olhos, acrescentam mais uma ruga… me vergam a espinha, me trucidam… calma e friamente… sem dó nem piedade.
A duvida do amanhã…
Que tudo não passa de um sonho… de algo que seria bom...
Que pela primeira vez….
Enfim…

Um dia escrevi algo assim:
"...aaahhh como eu queria ser livre
de me perder em rasgos de felicidade
de dar largas á esperança e ao amor...
por um só dia...
mas que fosse verdade."

Nada me dá certezas, nada me assegura, nada…. O que eu tenho, e na realidade sempre tive, é nada!
Um vácuo, uma espera… um buraco no tempo… uma coisa que nem sei o que é.
Preenchido aqui e ali... como bordados em uma toalha alva e imensa... cheia de recortes.
Dirão porventura… aaahhh… mas sempre há uma coisa!
Que coisa? Qual coisa? Mas há alguma coisa????
Não digo coisa com coisa, não é?
Melhor : não se passa coisa alguma…!!! Ou passa??
Para além das coisas que me passam pela cabeça, passa-se muita coisa de facto.
Coisas estéreis… ou não.
Coisas fúteis… ou não.
Coisas frias… ou não.
Coisas inúteis… ou não.
Coisas… minhas.
A melhor coisa…. A melhor de todas as coisas… é a que me assalta de momento…
A única que me dá uma réstea de luz… de esperança.
A única…
Pobre de mim… só uma me basta.
Tal é a minha pobreza no vazio, e párida de uma existência vulgar, comum, e fugaz…
Demasiado curta, com pouco tempo para usufruir o pouco que me poça calhar.
O resto de outros ou outrém. O que sobra.
Temo que no ultimo instante tudo se desvanece… fica sem efeito ou causa.
Que, apesar de tudo, contra mim tudo se modifica… e nada fica.
Que mais uma vez a crueldade da vida me acompanhe nos dias e noites frias… vazias.
Que a espera desespere quem dela depende.
Que se perca tudo no tempo e na memória… e passe a ser apenas, uma doce recordação.
Um simples devaneio. Um desvio de conduta ou no percurso dito “ o correcto”.
Uma curva apertada que deu em despiste…. Sem consequências de maior.
Apenas danos colaterais… previsíveis.
Que este meu percurso, esta caminhada de vida que Deus ou Alguém superior tão displicentemente nos consede, não seja bem aproveitado, ou mesmo dado um sentido de valor.
Que nas andanças e desandanças não tenha aprendido, consertado ou mesmo dado em... nada!
Que o que eu fiz ou desfiz só me prejudicou, ou fiz mal a alguém.
Se um dia alguém me disser: tu a mim, a tua pessoa, so me fez perder meu tempo...
Acho que morro na hora. Desapareço. Sumo no mundo... porque afinal, de nada me valeu o meu empenho, sinceridade, dedicação ou mesmo um sentimento nobre.
Mas deste medo eu acho que não tenho. Pensando bem... não tenho mesmo!
Se algo me fizer recuar, hesitar ou mesmo desistir, não é isto.
O meu medo??
É este:
Não terem tempo para mim;
Não haver espaço no tempo para eu existir;
Não marcar a minha presença;
Não haver uma boa memoria de mim;
Não saber existir no tempo;
Não ter, não haver, não existir, não ter o direito de…
Não ter tempo… tempo para amar.

2 comentários:

Japonesa disse...

pois... e palavras para quê? sabe quem sente, quem vivem quem quer... e sabes tu de tudo, tanto, porque viveste e vives.

é isso: a vida e o tempo é aquilo que fizermos dela tb. ou que nos deixam fazer...

um beijo doce, com sabores a trra, a mar, a brisas e a pós de estrela :-)

St@rlight disse...

é isso aí nina....
http://www.youtube.com/watch?v=7CbAjj80NIM