segunda-feira, março 19, 2007

Não te Amo

Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n'alma - tenho a calma,
A calma - do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.


almeida dus garrotes...

4 comentários:

CosmaShiva disse...

ai ai ... que lindo :-)

Acho que a vida é feita de dilemas, e muitas vezes são estes que nos ensinam a tomar as decisões certas, no tempo certo !

Fica bem ... Beijoooo em Tu*

Japonesa disse...

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.

e espanto porquê? medo e terror porquê? é isto que n entendo. e de facto, é isto que acaba por nos prender... ou deixar perder.

:-))**** beijinhos sim... todos com muito amor

Japonesa disse...

olha! por causa de ter feito o copy dos versos que aqui estive a transcrever, sem querer, fiz o paste para a janela do msn enquanto conversava com um conhecido argentino.

é claro que ele disse logo: "lindo poema. es como yo a mi enamorada... lo estoy escribiendo en un papel, para tenerlo."

quer dizer que agora um qualquer argentino anda com este poema de Almeida Garrett no bolso ... fazendo talvez gaudio do poeta que não exalta o amor, mas apenas um simples querer...ou então, justificando o seu "não amor" com o facto de o ter lido e sentido num poema português...

:-))***

Anónimo disse...

são as maravilhas do deste tempo.. as palavras voam milhares de quilometros em segundos, e tudo se torna tão universal.

um :-)