terça-feira, janeiro 30, 2007

presa nas palavras




prendo-me sempre nas palavras. é invevitável: as palavras atravessam-se sempre no meu caminho...

ontem fui ver o mar, sentir o cheiro da maresia e o frio na pele. o meu caminho foi o mesmo de sempre: pejado de plantas, árvores, arbustros... uma profusão de cores e de odores... o susurrar do ribeiro que ladeia o percurso.

enquanto faço este caminho, normalmente não ponho a musica a tocar. oiço apenas o chamamento dos sentidos e deixo-me ir - tentando esvaziar a mente doutras sensações.

é de cada vez que o faço que me vejo aproximar do sentido na vida.

de facto, para mim a vida é nada mais nada menos que pequenas obras de arte nascidas de dor e paixão. e é aqui que fico sempre com a certeza que não há virtude no meio. que não há conhecimento que chegue, pois quando se atingem os extremos a solução não pode ser recuar, mas sim fazer com que estes se unam e fazer com que, da explosão e do caos, nasçam a liberdade e a alegria de ver uma nova criação...

3 comentários:

Anónimo disse...

Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.

O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau (“com isenção de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego - às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.

(...)


drummond de andrade


kiss
lil


ahhh termina ironicamente com 'hj não há crónica' :)

Japonesa disse...

lil: como te adoro lêr... (eu já alguma vez te disse isso?) ahahah

escrever é triste sim... por tudo isso e por mais tudo aquilo que fica preso cá dentro. nunca é suficiente, nunca ´libertador q.b. mas sempre ajuda mto. ajuda principalmente a podermos dar um pouco de nós mesmos. a proporcionar da partilha algum conforto e minimizar o isolamento tão devastador e causador do obsoleto e das mentes demasiado obtusas... isto, claro, para quem tem fome de conhecimento. :-)

beijinhos para ti linda .. e obrigada (ansiando por uma crónica em breve)

:-)********

consciente disse...

Muito bem japonesa linda********************